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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Interpretar bem é fundamental para concursos

Importância da habilidade vai além das provas de português

Marcos defende que as pessoas devem ler mais do que mensagens via telefone e internet / Edmar Melo/JC Imagem

Marcos defende que as pessoas devem ler mais do que mensagens via telefone e internet

Edmar Melo/JC Imagem


Acertar uma questão da prova requer algo que vai além de dominar os assuntos estabelecidos no edital dos concursos: o requisito básico exigido aos candidatos é saber interpretar as questões. Diante disso, entender o que está sendo solicitado bem como os textos apresentados é um elemento a mais que deve ser incluído na lista de preparação de quem está disposto a garantir uma vaga na seleção - sobretudo pelo equívoco de pensar que esse fator é exigido apenas no caderno de português, pois “ele está em toda a prova”.
A afirmação do professor de língua portuguesa para concursos Marcelo Bernardo de Andrade está baseada em sua experiência na área. Há 15 anos lecionando para concurseiros, ele diz que saber interpretar o que está sendo exigido é mais do que essencial. “Toda a estrutura da prova hoje é baseada em textos. Até a gramática está ‘textualizada’, é o que chamo de linguística de texto”, afirma.
Ele explica que há uma diferença entre os termos compreender e interpretar. “São processos de construção de sentido completamente distintos na realidade dos concursos. Na academia, infelizmente, o aluno aprende como sendo a mesma coisa”, comenta. “A compreensão exige do candidato uma análise comparativa de informações explícitas no texto, de fácil percepção. Já a interpretação requer uma observação além daquilo que está escrito, as entrelinhas. Ou seja, é algo mais profundo”, explica o professor, que ensina na ATF Cursos Jurídicos e no Espaço Heber Vieira.
As provas atuais são elaboradas com outra metodologia, exigindo mais atenção do candidato, que hoje pode se deparar com os mais diversos gêneros textuais, como artigos, crônicas, editoriais e até científicos e literários, conforme explica Marcelo. “Há também provas com textos filosóficos e poéticos, com textos de Manuel Bandeira, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, por exemplo. Os concursos estão sendo dominados pela variação textual. A prova não é mais tão simplista como antes, a abordagem é mais interpretativa. Até a área de exatas envolve a análise de sentenças e suas reflexões”, considera.

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