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quarta-feira, 2 de julho de 2014

fraude nos resultados de partidas da Copa

Sete de seus 23 jogadores estariam envolvidos na manipulação de resultados dos jogos do Grupo A, mesmo do Brasil


RIO — A Federação de Futebol de Camarões (Fecafoot) divulgou um comunicado de que começará a investigar denúncias de que sete de seus 23 jogadores convocados para a Copa do Mundo estiveram envolvidos na manipulação de resultados de partidas do Grupo A, o mesmo do Brasil na primeira fase do megaevento. No comunicado, a Fecafoot disse que havia "sete maçãs podres" no grupo que fez a pior campanha da história de Camarões nas Copas, terminando na 32ª e última colocação.
A Fifa divulgou há pouco que não irá se manifestar para "não atrapalhar as investigações" da Fecafoot, mas O GLOBO apurou que o Departamento de Segurança da Fifa, chefiado por Ralf Mutschke, está acompanhando a movimentação da federação camaronesa.
A Fecafoot informou, no comunicado, haver instruído seu comitê de ética para investigar as denúncias do que descreveu como uma "fraude" nas três partidas da equipe, em particular na derrota por 4 x 0 para a Croácia em Manaus, no último dia 18, pela segunda rodada do Grupo A da Copa do Mundo.
"Denúncias recentes de fraude em torno dos três jogos de Camarões na Copa do Mundo-2014, em especial em Camarões contra Croácia, assim como a existência de sete maçãs podres (em nossa seleção), não refletem os valores e princípios promovidos por nossa administração", disse o comunicado da Fecafoot, publicado em sua página oficial na internet. "Queremos informar o público em geral que, embora ainda não contatada pela Fifa sobre esse assunto, nossa administração já instruiu o Comitê de Ética para investigar mais a fundo essas acusações", acrescentou a federação. "Estamos fortemente comprometidos a lançar mão de todos os meios necessários para resolver essa questão perturbadora sem demora", disse o presidente interino da Fecafoot, Joseph Owona.
As denúncias contra Camarões vieram do fraudador condenado Wilson Raj Perumal, que previu com precisão em um debate com a revista alemã "Der Spiegel" o resultado de 4 a 0 a favor da Croácia e a expulsão de um jogador. O meia camaronês Alex Song acabou expulso aos 40 minutos do primeiro tempo, após ter desferido uma cotovelada no croata Mario Mandzukic, sem razão aparente, deixando a seleção africana com dez jogadores.

Outro incidente também aconteceu antes do fim do jogo, quando o lateral Benoît Assou-Ekotto deu uma cabeçada no companheiro de equipe e atacante Benjamin Moukandjo.
A Fecafoot abriu uma investigação sobre o incidente, mas ainda não sancionou qualquer jogador. Além daquela derrota, Camarões havia perdido por 1 a 0 para o México, na estreia, no dia 13 de junho, em Natal, e sido goleado pelo Brasil por 4 a 1, no dia 23, em Brasília.
A Fifa preferiu não se manifestar, nem negando tampouco confirmando se fará uma investigação paralela.
- Não podemos falar mais nada. Se uma investigação está sendo feita, isso atrapalharia. Nós não fazemos comentários sobre investigação de qualquer partida, com base no artigo 88 do Código Discplinar da Fifa: ou do artigo 36 do Código de Ética. Somente quando há alguma decisão é que a Fifa poderá comunicar essa decisão. Qualquer alegação de manipulação de partidas é algo muito sério - afirmou a porta-voz da Fifa, Delia Fischer, há pouco, no Maracanã.
CHEFE DE SEGURANÇA DA FIFA ALERTOU RISCO
No último dia 20, dois dias após a goleada sofrida por Camarões diante da Croácia, o diretor de segurança da Fifa e chefe da entidade para o combate à manipulação de resultados, Ralf Mutschke dissera que o jogo entre Brasil e Camarões, em Brasília, no dia 23 de junho, tinha mais riscos do que os de abertura, contra a Croácia, e da final da Copa do Mundo. Mutschke acrescentou que todos os jogos do Mundial são acompanhados pela equipe do Sistema de Detecção Prévia (EWS, da sigla em inglês) e explicou as razões do cuidado.
- Olhamos todos os critérios para apontar um nível de risco maior do que o jogo de abertura e o da final. É um jogo mais vulnerável porque implica em classificação, diferença de gols, envolvendo uma seleção já eliminada - explicou, na ocasião.
Mutschke afirmou ainda que a equipe do EWS discutiu sobre os resultados de Camarões e o comportamento dos jogadores, inclusive com o Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (TSG, da sigla em inglês), que faz os relatórios técnicos e táticos da Copa do Mundo. Ele admitiu que a seleção africana teve conflitos por premiação, brigas durante o jogo com o México, mas negou a existência de uma investigação em curso.

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