Trezentas e dez pessoas foram assassinadas no mês passado em Pernambuco, o maior índice desde dezembro de 2012
Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
Pernambuco ultrapassou a marca de 300
assassinatos em março, último mês de Eduardo Campos como governador do
Estado. É o pior desempenho do Pacto pela Vida, programa de combate à
violência, desde dezembro de 2012, quando foram contabilizados 315
crimes violentos letais intencionais (CVLIs), terminologia para designar
homicídios.
Os dados ainda não foram concluídos
oficialmente. Mas o Comitê Gestor do Pacto trabalha com o registro de
310 assassinatos. Uma média de dez por dia. O mês que terminou na última
segunda-feira (31) também apresentou um aumento de 8,7%, pelo menos, em
relação aos homicídios registrados no mesmo período do ano passado. Em
março de 2013, foram 285 assassinatos.
O Pacto pela Vida é a maior vitrine da
gestão Eduardo Campos. E será a principal bandeira do presidenciável na
eleição deste ano, quando disputará com a presidente Dilma Rousseff. A
partir de sexta-feira, o programa será comandado pelo futuro governador
João Lyra Neto.
Nos últimos dias, voltaram a ocorrer
casos que chocaram a população e a opinião pública pela brutalidade dos
crimes. No domingo (30), no município de Xexéu, na Mata Sul
pernambucana, uma menina de 7 anos foi abusada sexualmente e
estrangulada. A garota foi sequestrada à tarde, enquanto brincava no
quintal de casa. O irmão da vítima, um menino de 12 anos, foi quem
encontrou o corpo num canavial. O suspeito do crime já está detido.
Na segunda-feira (31), a Mata Sul
presenciou outra morte violenta. Grávida de sete meses, Gabriela Maria
da Cunha, 25, estava jogando dominó com duas amigas, em Barra de
Sirinhaém, quando foi alvejada na barriga por um tiro disparado por um
homem. Mulher e feto não resistiram. O pai da vítima, o pescador
Ivanildo da Cunha, reclamou dos problemas gerados pelo tráfico. “Assim
como minha filha, outro rapaz foi morto há menos de dois meses. Tudo por
causa de droga.”
A marca de 300 homicídios por mês serve
como uma espécie de balizador nas estatísticas da violência em
Pernambuco. Desde o início de 2007, quando o Pacto foi lançado, era
regra o Estado ultrapassar esse patamar. Foi assim durante todos os dois
primeiros anos do programa. Em 2009, Pernambuco conseguiu a exceção de
ficar abaixo das três centenas em um único mês, setembro, quando 273
assassinatos foram registrados.
Em 2010, o Comitê Gestor do Pacto
comemorou o feito – até então inédito – de fechar seis dos 12 meses do
ano sem passar a marcar de 300 assassinatos.
Em 2011, janeiro, fevereiro, março e
abril foram os meses em que as estatísticas ultrapassaram o balizador.
Contexto que só voltaria a ocorrer em setembro do ano seguinte. O “teto”
foi rompido novamente em dezembro de 2012. Nos últimos 15 meses, só em
março de 2014 o balanço registrou mais que 300 homicídios em todo o
Estado.
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