Arena Corinthians enfrenta nova crise com morte de funcionário no último sábado Foto: Vagner Magalhães / Terra
A 70 dias da abertura da Copa do Mundo, o Ministério
Público de São Paulo ameaça paralisar as obras da Arena Corinthians,
caso as 26 irregularidades apontadas pelo Corpo de Bombeiros não sejam
sanadas rapidamente.
A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da
capital fará reunião na próxima semana com os dirigentes do Corinthians e
da construtora responsável pela obra, juntamente a representantes da
corporação, para tornar efetivas as medidas exigidas pelo Corpo de
Bombeiros, diz a nota assinada pelo promotor de Justiça de Habitação e
Urbanismo da José Carlos de Freitas, publicada no site do MP-SP.
Em novembro do ano passado, o Corpo de Bombeiros divulgou que mais de 50
irregularidades haviam sido apontadas na obra, antes mesmo da morte dos
operários Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e Ronaldo Oliveira dos
Santos, 44, atingidos por uma peça metálica de 420 toneladas que desabou
junto com um superguindaste.
No último sábado, morreu o terceiro operário na Arena Corinthians, Fabio
Hamilton da Cruz, 23, ao despencar de uma altura de aproximadamente
oito metros, enquanto trabalhava na montagem de uma das arquibancadas
provisórias. O Corpo de Bombeiros voltou a apontar irregularidades,
desta vez, 26.
No início desta semana, o superintendente do Ministério
do Trabalho e Emprego, Luiz Antonio de Medeiros, viu outros problemas,
como falta de rede de proteção coletiva, que, talvez, impedisse a morte
de Cruz.
Ao jornal Folha de S. Paulo, porém, Medeiros afirmou que se esse estádio não fosse da Copa (do Mundo) os auditores teriam feito uma auto infração por trabalho precário e paralisado a obra. E que o MTE está fazendo de conta que não vê algumas coisas irregulares.
Veja abaixo a nota do Ministério Público de São Paulo.
Providências do MP-SP sobre a regularização das obras do Estádio do Corinthians
Diante das informações prestadas pelo Corpo de
Bombeiros, relativamente às condições de segurança indicativas de
irregularidades na construção da Arena Corinthians, a Promotoria de
Justiça de Habitação e Urbanismo da capital fará reunião na próxima
semana com os dirigentes do Corinthians e da construtora responsável
pela obra, juntamente com representantes da corporação, para tornar
efetivas as medidas exigidas pelo Corpo de Bombeiros (abaixo).
A Promotoria, em caso de descumprimento ou
cumprimento parcial dessas exigências, não descarta a adoção de medidas
visando à interdição parcial da arena, mesmo durante a realização da
Copa do Mundo 2014. Nessa hipótese, eventuais prejuízos causados aos
adquirentes de ingressos, que poderão ser privados do direito de
assistir aos respectivos jogos, deverão ser objeto de ações judiciais em
face dos organizadores do evento e dos responsáveis pela construção da
arena.
osé Carlos de Freitas
Promotor de Justiça da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital
Principais itens a serem atendidos pelos responsáveis do Estádio Itaquera para a regularização do Estádio para a Copa do Mundo.
1. PROCEDIMENTOS
1.1. Legado (Estádio Itaquera)
1.1.1. Apresentar o Projeto de Proteção contra Incêndio para reanálise;
1.1.2. Após a aprovação do Projeto, deve-se
apresentar requerimento para análise em CTAA (Comissão Técnica de
Autorização para Adequação), devendo propor medidas de proteção
compensatórias para atender a outras medidas não executadas;
1.2. Evento temporário Copa do Mundo
1.2.1. Após a aprovação da CTAA, deve-se apresentar o Projeto Temporário do Evento Copa do Mundo.
SUGESTÃO: elaborar todos os procedimentos (Projeto
Técnico, CTAA e Projeto Temporário) simultaneamente, para protocolar
assim que o procedimento anterior for aprovado.
2. PROJETO TÉCNICO LEGADO (MEDIDAS DE PROTEÇÃO)
2.1. Apresentar Estudo de Fluxo de Pessoas (memorial de cálculo de lotação, saídas de emergência e tempo de percurso);
3. ALA LESTE
3.1. Comprovação de que o local possui área de ventilação efetiva mínima de 1/3;
3.2. Os materiais de acabamento e revestimento dos
pisos, paredes e tetos deverão ser de, no máximo, classe II-A, conforme
Instrução Técnica 10/2011;
3.3. Deverão ser instalados sistema de detecção de
incêndio e sistema de chuveiros automáticos em toda a área e
compartimentação nas áreas de lojas, lanchonetes e similares, em relação
ao corredor de circulação, bem como exaustão destes ambientes, conforme
Instrução Técnica 15/2011;
4. ALA OESTE
4.1. O pavimento térreo da saída da arquibancada deverá possuir as mesmas exigências requeridas na ala Leste;
4.2. O piso de descarga da área de camarotes deverá ser compartimentado em relação aos demais pisos inferiores;
4.3. Deverá ser previsto sistema de controle de
fumaça em todos os átrios, corredores de circulação e em todas as áreas
ocupadas, inclusive as que possuam área inferior a 300 m²;
4.4. Os materiais de acabamento e revestimento dos
pisos, paredes e tetos deverão ser de, no máximo, classe II-A, conforme
Instrução Técnica 10/2011;
4.5. Deverão ser previstos sistemas de detecção de
incêndio, chuveiros automáticos e compartimentação das áreas de lojas,
lanchonetes, restaurantes, salões de conferência e similares, em relação
aos corredores de circulação.
Comando do Corpo de Bombeiros
Departamento de Segurança contra Incêndio
FONTE-TERRA
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