Na manhã desta quinta-feira (3), o Papa Francisco assinou o decreto que ''reconhece a figura e a grandeza do missionário''
Foto: Reprodução da Internet
São José de Anchieta. É por esse nome
que passará a ser conhecido o Padre Anchieta, jesuíta espanhol que
participou da colonização e evangelização do Brasil. O primeiro pedido
de canonização foi feito há exatos 417 anos. Na manhã desta quinta-feira
(3), o papa Francisco assinou o decreto que "reconhece a figura e a
grandeza do missionário", segundo o próprio Vaticano.
O papa recebeu em audiência, no
Vaticano, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal
Angelo Amato. Após ouvir o relatório sobre a vida e a obra do "Apóstolo
do Brasil", o pontífice assinou o decreto que reconhece o missionário
como santo. Trata-se do primeiro santo de 2014 e o segundo jesuíta a ser
canonizado pelo papa Francisco. Antes dele em dezembro do ano passado,
foi canonizado Pedro Fabro.
HOMENAGEM - Em comemoração à canonização
de Anchieta, os sinos haviam repicado ontem, às 14 horas, nas igrejas
de São Paulo e o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer,
manteve o canto do Te Deum na Catedral da Sé e no Pátio do Colégio, na
região central da capital.
Dom Odilo, que falou aos jornalistas ao
lado de dois padres jesuítas, o superior provincial Mieczyslaw Smyda e o
reitor da igreja do Pátio do Colégio, Carlos Alberto Contieri, disse
que, para Anchieta ser considerado santo, o mais importante é seu
exemplo de vida - e não a assinatura do decreto.
O padre José de Anchieta, cofundador da
cidade de São Paulo, foi canonizado sem os dois milagres geralmente
necessários: um para a beatificação e outro para a canonização
propriamente dita. Os canonistas chamam este procedimento de
"canonização equipolente" (equivalente), pois equivale ao processo
normal para declarar que determinada pessoa morta se encontra junto de
Deus, no céu, intercedendo pelos que ainda vivem na Terra.
O cardeal lembrou a atuação do novo
santo como evangelizador dos índios e como professor do primeiro
colégio, o de São Paulo, fundado pela Companhia de Jesus na América
Latina. Odilo também presidiu nesta quarta-feira à noite uma homenagem a
Anchieta na Catedral da Sé.
No domingo, às 11 horas, o cardeal
arcebispo de São Paulo presidirá missa solene na catedral, também como
homenagem a São José de Anchieta. Uma hora antes, às 10 horas, será
iniciada uma procissão até a catedral, saindo do Pátio do Colégio.
QUEM FOI - Anchieta nasceu nas Canárias.
Filho de pai basco e mãe descendente de cristãos novos ou judeus
convertidos, teria deixado o arquipélago para fugir da Inquisição,
porque em Portugal a perseguição contra os judeus era menos rigorosa do
que na Espanha.
Entrou para a Companhia de Jesus em 1551
e, dois anos depois, desembarcou na Bahia. Ainda não era padre, quando
participou, em 25 de janeiro de 1554, da fundação do Colégio de São
Paulo de Piratininga, berço da capital paulista. Morreu em 1597, no
Espírito Santo, onde está sepultado.
Logo após sua morte, a notícia de suas
virtudes heroicas chegou a Roma e, em 1624, o papa Inocêncio X autorizou
a abertura da causa de beatificação. No século seguinte, quando o
Marquês de Pombal iniciou uma perseguição aos jesuítas, todos os
processos foram suspensos. A causa de Anchieta só foi retomada em 1875.
Nas décadas seguintes, o Brasil recorreu ao papa Paulo VI para pedir a
beatificação, que saiu só em 1980, com decisão de João Paulo II.
Nenhum comentário:
Postar um comentário